PROGRAMA REDE DE SABERES: PERMANÊNCIA DE INDÍGENAS NO ENSINO SUPERIOR E OUTRAS AÇÕES AFIRMATIVAS

Thiele Dias de Barros, Beatriz dos Santos Landa

Resumo


A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul implantou o sistema de cotas para indígenas no
ano de 2004, na proporção de 10% de todas as vagas ofertadas pela instituição. Atualmente, em
2016 estão matriculados 280 estudantes indígenas nos diversos cursos ofertados na instituição. A
permanência destes estudantes nos cursos apresentou-se como uma das questões mais complexas a
serem resolvidas, e até o momento não há uma solução adequada para todas as pessoas que acessam
ao quadro discente da UEMS. A evasão permanece em torno de 30% do total de ingressantes, mas
em alguns cursos chega a mais de 60%. A partir do recorte étnico foi implementado o Programa
Rede de Saberes no ano de 2005 e que continua até o momento, tendo como objetivo apoiar os
estudantes indígenas na sua trajetória acadêmica e é executado em parceria entre a UEMS, UCDB,
UFMS, e UFGD, com financiamento da Fundação Ford. O objetivo do projeto principal foi
acompanhar e apoiar didática e administrativamente as ações realizadas no referido Programa com
destaque para aqueles que visam a formação política, diferenciada e qualificadas dos estudantes
indígenas. Foram realizados dois encontros com estes objetivos que foram o 5o
SEIES – Seminário
de Estudantes Indígenas do Ensino Superior da UEMS e o VIII Encontro Estadual de Acadêmicos
Indígenas de Mato Grosso do Sul nos quais se reuniram discentes das quatro universidades
parceiras e de outras existentes no estado. Nestas oportunidades, os/as palestrantes convidados/as,
foram em sua ampla maioria indígenas egressos da graduação ou da pós-graduação destas
instituições, demonstrando o acerto das políticas que estas quatro universidades tem implementado
para propiciar o acesso e a permanência deste segmento discente, apesar de nos eventos terem sido
apontados ainda muitos problemas a serem enfrentados. Outro evento importante foi a oficina
sobre educação escolar indígena ministrada por uma professora indígena e uma renomada
pesquisadora da área que estabeleceram um real diálogo intercultural na formação de estudantes
indígenas e demais pessoas que participaram, prática que deveria ser uma constante nas
universidades que acolhem a diferença representada pela presença indígena em seus quadros
discentes. Nestes eventos, e em outros realizados com amplitude menor, estiveram envolvidas em
torno de 500 pessoas, indicando a pertinência deste tipo de ação de extensão. Como resultado é
possível afirmar a necessidade de estabelecer um diálogo intercultural com a comunidade
acadêmica, inserindo novas temáticas, novas relações dialógicas, novas metodologias, respeito aos
processos de aprendizagem que os indígenas trazem para este ambiente para que sofram menos
preconceito, que diminuam as demonstrações de racismo e discriminação que foram relatados nos
eventos.


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