FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS GUARANI E KAIOWÁ EM MATEMÁTICA: AVANÇOS E DESAFIOS A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS NA FORMAÇÃO INICIAL

Maria Aparecida Mendes de OLIVEIRA

Resumo


O presente artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre saberes (matemáticos) de diferentes matizes/origens, provenientes das práticas culturais de um determinado grupo étnico, do mundo acadêmico e escolar, no processo de formação inicial de professores indígenas. Esta análise prevê a inserção de professores indígenas, nos anos finais do Ensino Fundamental sustentada em estudos sobre interculturalidade e decolonialidade do saber e da Etnomatemática. Partimos da experiência de trabalho na formação de professores indígenas Guarani e Kaiowá, no curso de Licenciatura Intercultural Indígena –Teko Arandu da Faculdade Intercultural Indígena (FAIND) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A vozes dos educadores indígenas presentes neste trabalho são coletadas dos livros de memória, produzidos ao longo da formação destes professores. Estes registros são dimensões educacionais que apresentam as relações de conhecimento/saberes indígenas que colocam em questionamento a lógica de hierarquização entre os saberes presentes no modelo de colonialidade. Nossa intenção é discutir as relações entre saberes, estabelecidos no modelo imposto pelas estruturas institucionais do curso, pelos sistemas de poder e pelos conhecimentos coloniais, mantidos e reproduzidos nos espaços institucionais. A presença das vozes dos indígenas nos registros feitos por eles das aulas de matemática, ao longo dos últimos anos de formação da Licenciatura Intercultural Indígena, na habilitação em matemática, expõe e fornecem elementos para a compreensão de como se configuram os processos de resistência ao modelo institucionalizado. Desta forma, interculturalidade e decolonialidade são projetos que estão ligados à luta por uma escola indígena diferenciada e sempre em construção, permeada por uma série de tensões.

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