DA EXCLUSÃO AO FLORESCIMENTO

A EXPERIÊNCIA DE UMA ESTUDANTE AUTISTA NO ENSINO SUPERIOR

Autores

  • Ana Carolina Morais de Souza Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

Inclusão, Ensino superior, Autismo, Acessibilidade curricular, Permanência estudantil

Resumo

Este trabalho apresenta um relato de experiência com enfoque autoetnográfico, fundamentado na trajetória de uma estudante autista da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). O objetivo é refletir criticamente sobre as barreiras e os apoios vivenciados no ensino superior, articulando-os ao debate sobre acessibilidade curricular, práticas pedagógicas inclusivas e permanência estudantil. O percurso acadêmico iniciou-se em 2015, no curso de Engenharia Física, em uma rotina extenuante que culminou em burnout e em dificuldades de permanência, agravadas pela ausência de acolhimento de parte do corpo docente. Em 2021, o diagnóstico de autismo possibilitou ressignificar tais experiências, permitindo compreendê-las não como falhas individuais, mas como efeitos da falta de políticas e práticas efetivas de inclusão. A transição para o curso de Letras – Português-Espanhol, em 2023, representou um reencontro com minhas potencialidades, uma vez que o hiperfoco em livros e ensino pôde se tornar potência criativa e produtiva, apoiada por acompanhamento terapêutico e por políticas institucionais de acessibilidade. A metodologia adotada parte da autoetnografia (Ellis, 2004), valorizando a experiência situada como produtora de saberes, em diálogo com os estudos da educação inclusiva (Mantoan, 2003), da neurodiversidade (Singer, 1999) e da ecologia de saberes (Santos, 2007). Os resultados indicam que a inclusão no ensino superior é um processo em movimento, tensionado entre diretrizes institucionais e práticas cotidianas, e que a experiência autista, mais do que apontar obstáculos, revela estratégias, aprendizagens e formas de conhecimento que podem contribuir para a transformação das práticas pedagógicas.

Referências

ELLIS, Carolyn. The ethnographic I: a methodological novel about autoethnography. Walnut Creek: AltaMira Press, 2004.

GOMES, Elihab Pereira; MENDES, Jean Michel R.; ALMEIDA, José Rogécio de S.; DUARTE, Heloísa Alencar; VIEIRA, Vanessa Rayane; FREIRE, Marco Aurelio M. Processos de inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior: uma revisão sistemática. Research, Society and Development, v. 10, n. 8, e11910816977, 2021. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i8.16977

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2007.

SINGER, Judy. Why can’t you be normal for once in your life? From a “problem with no name” to the emergence of a new category of difference. In: CORKER, M.; FRENCH, S. (org.). Disability discourse. Buckingham: Open University Press, 1999.

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Publicado

16-01-2026

Como Citar

SOUZA, Ana Carolina Morais de. DA EXCLUSÃO AO FLORESCIMENTO: A EXPERIÊNCIA DE UMA ESTUDANTE AUTISTA NO ENSINO SUPERIOR. Anais do Seminário de Educação Inclusiva da UEMS, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 238–244, 2026. Disponível em: https://anaisonline.uems.br/index.php/seiUEMS/article/view/11071. Acesso em: 28 jan. 2026.