MULHER PODE FAZER O CURSO QUE ELA QUISER!

subjetividades, estigmas e preconceitos a partir da relações de gênero

Autores

  • Nubea Rodrigues Xavier Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Micalea Silva Santos Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

Mulheres. Educação. Internacionalização. Brasil. Argentina.

Resumo

A pesquisa apresentada se trata de um projeto de pesquisa de iniciação científica, PIBICin 2023, intitulado Mulher pode fazer o curso que ela quiser!: Subjetividades, estigmas e preconceitos a partir da relações de gênero, em que obteve-se aprovação para o edital conjunto Edital conjunto n.o19/2023 ARELIN-PROPPI de bolsas de iniciação científica internacional (pibicin) e auxílio mobilidade internacional para a acadêmica Micaela Silva Santos, sob a orientação da professora dra. Nubea Rodrigues Xavier, realizado no mês de junho de 2024. A proposta investigar as representações sociais e comportamentos das/os acadêmicas/os sob as perspectivas de gênero em cursos como pedagogia, administração, filosofia e letras, respectivamente, em duas universidades, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS e Universidade de Buenos Aires, tendo como proposta uma análise comparativa entre as duas universidades ao que tange à participação feminina relacionados a cursos que são indicados
como cuidados de terceiros e aqueles que são ditos voltados ao pensamento lógico. Atualmente, o exercício da docência é marcado predominantemente pelo gênero feminino. Conforme os dados do Censo da Educação Básica realizado em 2007 (BRASIL,
2009, p. 22), nas creches, na pré-escola e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o universo docente é predominantemente feminino (98%, 96% e 91%, respectivamente). Ao contrário do processo de feminização do magistério nos outros níveis da Educação
Básica, a Educação Infantil seguiu uma trajetória diferente, pois surgiu como um espaço de ocupação feminina. Neste sentido, a inserção dos homens nesta etapa da Educação Básica é algo muito recente. Ao longo do tempo, foram ocorrendo transformações no contexto da Educação Infantil. Os espaços destinados ao atendimento de crianças pequenas passaram a ser instituições com
foco no cuidado e Educação destas crianças. Conforme orienta o Documento oficial do MEC (1994), Política Nacional de Educação Infantil, esta etapa da Educação Básica deve pautar-se pela indissociabilidade entre o cuidado e a Educação, além disto, tem função diferenciada e complementar à ação da família. Para além dos aspectos da docência, há outras profissões e/ou curso que são definidas como algo voltado ao universo masculino. Na unidade de Maracaju, no período noturno há oferta de dois cursos, o de pedagogia e o de administração, sendo o segundo inserido nesse contexto de destinação ao público masculino, este projeto busca identificar nesse espaço educacional como os cursos vão sendo definidos por predomínio de um determinado gênero, sendo alguns deles determinantemente com o número de matrículas femininas e outros, por sua vez, masculino. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apesar de haver maiores chances, em média 34%, de mulheres entre 25 a 64 cursarem o ensino superior do que os homens no Brasil, geralmente se define um maior número de
matrículas em determinadas áreas de estudos (OCDE, 2019). O estudo ainda nos mostra que para os homens inserem-se nos cursos das áreas duras, como engenharia, informática e áreas técnicas como construção, por exemplo, para o público
feminino, há maior procura nas áreas de ciências sociais e no campo da informação. Nessa perspectiva, “[...] podemos afirmar que, essa rede de memória discursiva que materializa o mito da feminilidade se faz presente na prática discursiva de vários aparelhos ideológicos, principalmente, a Escola, no caso do objeto de pesquisa em questão, a Academia” (Silva, 2021, p. 91) Nessa perspectiva nos pautaremos como embasamento eliasianos (2011; 2003; 2000; 1994) que dispõe a condição individual de cada pessoa esteja vincula-se à sua existência social, “o que implica em dizer que os sentidos se constroem no tecido social e nas configurações
particulares nas quais se participa em certo momento histórico e numa sociedade” (Kaplan, 2014, p. 39). Corrobora também com a autora supracitada, Fanfani: A partir desta idea de interdependência se darrolla el concepto de configuración o figuración en su formación. Esta puede definirse como un entrelazamiento de acciones y relaciones. La sociedade es un conjunto de acciones y configuraciones, o sea que nos es ni una abstración de atributos individuales que existen sin la sociedade ni un sistema o tatalidad más allá de los indivíduos. Para Elias, la sociedade es uma red de interdependencias formadas por indivíduos. Se los compreende mejor si se los considera como formado parte de la figuraciones con otros indivíduos y no como entes aislados, autónomos y libres. (FANFANI, 2009, p. 16) Em consonância com essa análise, usamos a interseccionalidade para analisar as distinções dos quesitos, cor, raça, gênero, condição socioeconômica e etaridade que permeiam as condições de vinculação dos estudantes à universidade. Para as estratégias metodológicas foram divididas em duas etapas, a primeira, realizada no Brasil, com averiguação por questionário semiestruturado, realizado pelo formulário docs, aplicativo do google, aos acadêmicos do curso de pedagogia e administração da unidade de Maracaju e a segunda etapa, a realização da internacionalização com a interação com os acadêmicos argentinos do curso de filosofia e letras da Universidade de Buenos Aires. Como resultados, observou-se quais representação sociais dispostas pelos dados gerados pelos questionários aplicados acerca dos cursos e consequentemente das profissões brasileira e argentina ao que concerne às relações de gênero.

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Publicado

2026-06-11

Edição

Seção

EIXO 2: EDUCAÇÃO, DIREITOS HUMANOS, DIVERSIDADE E INCLUSÃO.