PRÁTICAS EDITORIAIS E LITERATURA INFANTOJUVENIL NO BRASIL NAS DÉCADAS DE 1980 E 1990
discussões a partir de uma editora
Palavras-chave:
Práticas editoriais. Literatura infantojuvenil. Editora de livros para infância.Resumo
O texto objetiva discutir as práticas editoriais adotadas pelos editores da FTD S/A que contribuíram para garantir a legitimidade de suas obras no campo da Literatura infantojuvenil no Brasil nas décadas de 1980 e 1990. Utiliza como principais fontes dois catálogos de literatura infantil além de documentos da Instituição Marista, detentora do selo FTD. Essa pesquisa dialoga com OLIVEIRA (2021), MEGALE (2003), SORÁ (2010), BRAGANÇA (2016) e HALLEWELL (2012). Além das políticas de compras de livros durante a década de 1960, como aquela resultante dos Acordos MEC/SNEL/USAID, verifica-se que há um novo enfoque nas produções de livros a partir de então, colocando a criança como consumidora de um tipo de leitura específica, não apenas escolar, didática; mas uma literatura infantil e também chamada paradidática, adequada à sua idade. Esse aspecto está intimamente relacionado com as novas perspectivas sobre o que é ser criança, advindos tanto das políticas públicas, como das produções acadêmicas. A Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Lei no 9394/96 e o Estatuto da Criança e do Adolescente na década de 1990, vem ao encontro de um debate que retoma uma das principais ideias de Phillippe Ariès (1981) em que a criança é diferente do adulto. Deste modo, algumas editoras que até então, focalizavam apenas os livros didáticos, buscando atingir o público infantil, investiram na produção de obras que atendessem tanto as demandas conceituais do que é ser criança, como também, estivessem adequadas aos ditames dos editais do Estado para aquisição dessas, pois esse será o maior comprador de livros de literatura infantil, via políticas de distribuição desses BRAGANÇA; ABREU (2010). Portanto, nos questionamos em que medida, uma dessas editoras, a FTD S/A, que até a década de 1960 produzia apenas didáticos, acompanhou essa tendência e quais foram as estratégias adotadas para atingir principalmente o público infantil colocando à disposição catálogos de livros de literatura infatojuvenil LAJOLO; ZILBERMAN (2010). Como aporte teórico adotamos CHARTIER (2002, 2009, 2014) à medida que reflete sobre a história do livro, das edições e das empresas editoriais, bem como o papel dos autores, editores e leitores de livros. Constata-se, a partir do material empírico analisado que houve uma ressignificação nas práticas editoriais da FTD S/A, após os anos de 1960, resultando duas década depois da declaração de editores e autores com credibilidade no campo de literatura, elaboração de catálogos com obras categorizadas conforme a faixa etária das crianças, participação em eventos significativos da área, além da contemplação em premiações como o Jabuti. Esses foram alguns dos fatores que levaram a Editora FTD/SA a adentrar com credibilidade no campo da literatura infantil, até então alheio ao seu escopo.