REPENSANDO O PROCESSO AVALIATIVO DO ESTUDANTE CEGO
ENTRE A ORALIDADE E A ESCRITA EM BRAILLE
Palavras-chave:
Avaliação, Inclusão Educacional, Deficiência Visual, Braille, Tecnologias AssistivasResumo
O presente artigo tem como objetivo analisar o processo avaliativo de uma estudante cega, destacando as diferenças entre suas produções orais e escritas em Braille. O estudo faz parte de uma pesquisa mais ampla que investiga de que maneira as Tecnologias Assistivas podem auxiliar no processo educacional de alunos com deficiência visual. A atividade analisada foi desenvolvida a partir dos pressupostos da Teoria da Objetivação, cujo foco está no encontro com saberes por meio de atividades que utilizam artefatos, gestos e signos em situações coletivas de aprendizagem. A proposta de ensino contemplou o tema “Ciclo Dia-Noite”, previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sendo aplicada com uma estudante cega (A3) que deveria responder às questões a partir de um áudio-texto disponibilizado em um tablet, registrando suas respostas com o uso da reglete. Os resultados mostraram que, embora a aluna possuísse habilidade com a escrita em Braille, suas respostas orais eram mais ricas e detalhadas em comparação às registradas na reglete, que se apresentaram curtas e resumidas. Além disso, a estudante relatou incômodos físicos (cansaço e dores nos dedos) em decorrência do uso contínuo do recurso, o que pode influenciar na qualidade de suas produções escritas. Conclui-se que o processo avaliativo de estudantes cegos deve considerar múltiplos modos de expressão, não se restringindo apenas à escrita em Braille. Nesse sentido, a oralidade pode ser um recurso complementar importante para uma avaliação mais justa, inclusiva e equitativa.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 2.678, de 24 de setembro de 2002. Dispõe sobre as diretrizes e normas para o uso, ensino, produção e divulgação do Sistema Braille em todas as moda-lidades de ensino. Brasília: MEC, 2002.
MANTOAN, M.T. E. Inclusão escolar: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.
OLIVEIRA, C. A.; MARTINS, I. Multimodalidade e ensino de ciências: diferentes modos semióti-cos na aprendizagem. Investigações em Ensino de Ciências, v. 9, n. 2, p. 1-20, 2018.
PICCININI, C.; MARTINS, I. Multimodalidade e ensino de ciências: diferentes modos semióticos na aprendizagem. Investigações em Ensino de Ciências, v. 9, n. 2, p. 1-20, 2004.
RADFORD, Luís. Teoria da objetivação: uma perspectiva vygotskiana sobre conhecer e vir a ser no ensino e aprendizagem da matemática. Tradução: Bernadete B. Morey e Shirley T. Gobara. São Paulo: Editora Livradia da Física, 2021.
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 2010.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.