DO PLANEJADO AO POSSÍVEL: DESAFIOS E DESCOBERTAS NA PRÁTICA DE DOCENTES EM ARTE
Palavras-chave:
regência, arte-educação, dança.Resumo
Participar do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na Escola João de Paula Ribeiro está sendo uma experiência desafiadora e enriquecedora para formação como arte-educadoras, perspectiva que dialoga com Barbosa (2010), ao compreender a arte-educação como atividade formativa que engloba sensibilidade, conhecimento e crítica na formação do aluno; no primeiro contato com a sala de aula, foi possível observar os desafios de mediar arte e conhecimento em um ambiente cheio de indivíduos enérgicos e distintos, com suas opiniões, pensamentos e hábitos tão firmados, além dos estereótipos e preconceitos enfrentados ao ministrar uma linguagem que foge dos padrões convencionais da sala de aula com carteiras enfileiradas e avaliações escritas, vista apenas como entretenimento, hobby ou bagunça. A bolsa do PIBID nos permite mergulhar na realidade da escola: entender a infraestrutura, acompanhar o histórico familiar de cada aluno e compreender como funcionam a gestão e a administração escolar. São aspectos que o estágio tradicional não abrange, por ser muito breve e focado apenas no cumprimento da carga horária. As aulas do quarto ano vêm seguindo um planejamento voltado para a expressão e compreensão de sentimentos por meio da dança, com explicações e práticas que levem os alunos a explorarem seus movimentos e assimilarem diferentes sentimentos/sensações através de atividades lúdicas. É possível notar a aplicação de Laban nas aulas, especificamente dos fatores do movimento, em propostas que instiguem o uso de diferentes tempos, pesos, fluências e espaços, de um modo não tão acadêmico, mas sim adaptado para o nível de formação dos alunos. Mesmo com a dificuldade de uma sala cheia e de dias que não rendem ou o planejamento que simplesmente não funciona, a proposta pedagógica baseada na valorização do corpo como linguagem expressiva e na forma de construção de identidade, integração social e desenvolvimento da percepção corporal é desenvolvida, aplicada e acontece. O momento de regência foi proveitoso, pois pode colocar em ação as dinâmicas e conceitos que foram ensinados ao longo da formação, avaliando assim, se seria possível trabalhar com essas ferramentas ou precisaria de um reajuste ao buscar por novas metodologias. O planejamento elaborado pelas bolsistas do PIBID foi eficaz na primeira etapa, que consistia em uma escuta ativa na sala de aula, seguida pela realização de uma composição visual. Contudo, a parte prática, que deveria acontecer no pátio não pode ser concluída, pois os alunos apresentaram dificuldade em ouvir e talvez até de nos enxergar como professoras. A experiência da regência nos proporcionou a oportunidade de refletir sobre a execução da aula e pensar em novas estratégias. Além disso, essa regência também levantou questões importantes que foram debatidas em reunião com a professora supervisora e os colegas bolsistas que atuam na Escola Municipal João de Paula Ribeiro. Estamos buscando alternativas para aprimorar o processo de ensino, de modo que nós, bolsistas, especialmente a dupla do quarto ano, possamos compreender melhor as necessidades da turma e enfrentar, cada vez mais, os desafios que surgem no contexto do PIBID.
Referências
ENEPEX 2025