EXPERIVIVÊNCIAS: DESAFIOS E APRENDIZAGENS NA PRÁTICA DOCENTE EM ARTES
Palavras-chave:
PIBID, Ensino em Dança, Formação docenteResumo
Este texto é um breve resumo das experiências vivenciadas pelos acadêmicos do curso de Dança no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Buscamos relatar as observações e aprendizagens que o programa nos proporcionou na escola. Frequentamos a escola parceira durante uma vez por semana, e a mesma apresentou uma realidade marcada por tensões entre o desejo de práticas educativas mais sensíveis e a rigidez estrutural de rotinas escolares. Essas vivências incluíram a elaboração de tarefas burocráticas e falta de espaço para escuta corporal e criação em dança. Por isso, as condições influenciaram diretamente a forma como as artes, em especial a dança, se inseriram no cotidiano escolar. O objetivo deste relato é compartilhar as vivências obtidas durante a participação no PIBID, refletindo sobre os desafios e possibilidades do trabalho docente em artes. Vale destacar aprendizados práticos e teóricos que contribuíram para a nossa formação como artistas-docentes. As experiências relatadas foram construídas a partir de observações diretas, registros escritos e reflexões realizadas em reuniões de acompanhamento do PIBID. Além disso, participamos de aulas ministradas por professores da escola e assumimos momentos de regência, dialogamos com educadores e registramos acontecimentos significativos que revelaram aspectos da realidade escolar. No primeiro semestre, fomos recebidos pelo professor, que substituiu a regente oficial afastada por motivos de saúde. Percebemos que seu método é centrado em atividades de colorir, na qual o método gerou discussões mas, em conversas pessoais, compreendemos sua postura e frustrações. Apesar das diferenças metodológicas, o supervisor sempre se mostrou aberto para que os bolsistas assumissem a regência. Sua postura fortaleceu nossa confiança e nos ofereceu autonomia para experimentar propostas. Percebemos que a docência exige muito: é preciso escuta, flexibilidade e estratégias para lidar com adversidades, como espaços inadequados para aulas de dança e imprevistos que exigem improvisação (Miller, Cora, 2018). Desse modo, dois episódios marcaram fortemente nossa vivência. No primeiro, uma aluna cuspiu no rosto de um colega e, ao ser impedida de participar da atividade, gerou conflito com o professor e a família. Essa situação evidenciou a desvalorização do professor e a sobrecarga de funções que deveriam ser responsabilidade familiar, como a educação sensível para o respeito e a convivência. No segundo episódio, um aluno de 5 anos, após ter um brinquedo recolhido, chorou intensamente, se debateu e disse sentir-se odiado por todos. Essa fala despertou reflexões sobre saúde mental infantil e a importância de um olhar compreensível capaz de identificar sinais de sofrimento emocional na infância. Por fim, experiência no PIBID possibilitou um olhar mais crítico no contexto do ensino das artes. Nós artistas-docentes, carregamos o propósito de oferecer aulas que permaneçam na memória, provoquem mudanças e inspirem, acreditando que a arte é potente e transformadora no âmbito social e pessoal.
Referências
ENEPEX 2025