CORES E TRAÇOS QUE CONTAM HISTÓRIAS: OFICINA DE GRAFISMO INDÍGENA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERCULTURAL

Autores

  • Yanara MIRANDA Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Vanise G. C. Locatelli BORTOLANZA Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Neilda FREITAS Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Catarina de F ARAÚJO Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Naylla A PASSOS Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Maria Eduarda FERRO Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

saberes tradicionais, diversidade cultural, identidades indígenas

Resumo

O grafismo indígena é uma das expressões culturais dos povos originários, manifestando-se em pinturas corporais, cestarias, cerâmicas e outras formas de arte que, além da estética, carregam valor simbólico e comunicacional. Os traços funcionam como um idioma visual, permitindo identificar aspectos como etnia, gênero, idade e pertencimento, sendo, portanto, patrimônio cultural de grande relevância. A valorização dessas manifestações no espaço escolar é fundamental para fortalecer identidades culturais e promover o respeito à diversidade. Nesse sentido, em abril de 2025, durante a Semana dos Povos Originários, foi desenvolvida na Escola Estadual “Castro Alves”, em Dourados (MS), uma ação integrada que articulou leitura de textos, exibição de vídeos e a realização de uma oficina de grafismo indígena com estudantes do 4º ano B, com idades entre 9 e 12 anos. O objetivo foi aproximar os alunos dos elementos artísticos e históricos dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, incentivando a preservação de saberes tradicionais e a valorização da interculturalidade. As atividades foram planejadas em consonância com a Lei nº 11.645/2008, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de história e cultura dos povos originários do Brasil, assegurando que a Educação Básica contemple a diversidade étnica e cultural do país. A ação contou com a participação de acadêmicas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), vinculadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), dentre elas, mulheres indígenas da etnia terena, residentes na aldeia Jaguapiru da Reserva Indígena de Dourados (MS). A metodologia desenvolvida envolveu inicialmente leituras e diálogos em sala de aula sobre a temática, seguidos de uma oficina realizada na biblioteca escolar, na qual foram abordados os significados e a diversidade dos grafismos, bem como a produção sustentável de tintas a partir de recursos naturais. A oficina contou ainda com a exibição do vídeo de Rossandra Cabreira, pesquisadora indígena dedicada ao estudo do grafismo das etnias sul-mato-grossenses, além da exposição de artesanatos, livros e elementos das culturas materiais indígenas. As tintas naturais utilizadas — produzidas com urucum, açafrão, carvão e folhas — possibilitaram aos estudantes a vivência prática da pintura, permitindo que experimentassem o simbolismo de cada traço e sua relação com a identidade de diferentes povos. Como resultado, os estudantes não apenas reproduziram grafismos em papel, mas também desenvolveram maior compreensão sobre a diversidade cultural e o valor da preservação dos saberes indígenas. A atividade foi concluída com rodas de diálogos, em que os participantes compartilharam suas percepções, fortalecendo a relação entre seus conhecimentos prévios e os novos aprendizados. A experiência evidenciou a relevância de práticas pedagógicas interativas e culturalmente contextualizadas, capazes de promover aprendizagens significativas, contribuir para o fortalecimento de identidades e estimular o respeito às diversidades, em consonância os ODS 4 (Educação de Qualidade), 10 (Redução das Desigualdades) e 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis).

Biografia do Autor

Yanara MIRANDA, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Profa. Especialista da Educação Básica. Voluntária no PIBID-UEMS, núcleo Pedagogia, na Escola “Castro Alves”;

Vanise G. C. Locatelli BORTOLANZA, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Profa. Especialista da Educação Básica. Supervisora do PIBID-UEMS, núcleo Pedagogia, na Escola “Castro Alves”;

Neilda FREITAS, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Acadêmica do curso de Pedagogia da UEMS em Dourados, bolsista PIBID;

Catarina de F ARAÚJO, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Acadêmica do curso de Pedagogia da UEMS em Dourados, bolsista PIBID

Naylla A PASSOS, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Acadêmica do curso de Pedagogia da UEMS em Dourados, bolsista PIBID;

Maria Eduarda FERRO, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Professora Doutora do Curso de Pedagogia da UEMS em Dourados, Coordenadora de Área (Pedagogia) do PIBID

Referências

ENEPEX 2025

Publicado

2026-02-19

Como Citar

MIRANDA, Y., BORTOLANZA, V. G. C. L., FREITAS, N., ARAÚJO, C. de F., PASSOS, N. A., & FERRO, M. E. (2026). CORES E TRAÇOS QUE CONTAM HISTÓRIAS: OFICINA DE GRAFISMO INDÍGENA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERCULTURAL. ANAIS DO EGRAD, (14). Recuperado de https://anaisonline.uems.br/index.php/egrad/article/view/11363

Edição

Seção

CIÊNCIAS HUMANAS