A PERFORMANCE COMO METODOLOGIA DE SUBJETIVAÇÃO DOS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA
Palavras-chave:
Performance, subjetividade, culturaResumo
O presente resumo apresenta a Performance Art (performance) como proposta metodológica na prática docente a fim de forjar as subjetividades (SOUZA, 1983) dos sujeitos da educação básica, tendo como campo de experimentação a Escola Municipal João de Paula Ribeiro, localizada em Campo Grande/MS. As bolsistas do PIBID, Gabriela Morais e Maria Eduarda Flores da Silva, graduandas do curso de Licenciatura em Dança da UEMS, buscam exercer o ensino da arte, disciplina observada e planejada na turma do 2º ano do Ensino Fundamental I, através do movimento. A escola brasileira enquanto instituição, é parte estrutural do sistema capitalista. Dentre as disciplinas, a Arte, com a potência de forjar a subjetividade dos indivíduos, não foge à regra e torna-se também artifício mantenedor desta ordem, uma vez disciplina. Leituras de Krenak (2019), Donna Haraway (1984), Antônio Bispo dos Santos (2023), feitas em componentes curriculares do graduação e as discussões entre a dupla das PIBIDianas, em reuniões com coordenadores e professora supervisoras do programa, levam às questões da linguagem disciplinar como reconfiguração colonial no que concerne ao corpo como território (SANTOS, 2000). A linguagem das letras institui os signos que contornam as possibilidades subjetivas dos indivíduos, nomeando as sensações e as coisas do mundo, como se tudo o que fugisse a isso fosse um não lugar, ou um lugar em potencial, bem como o indivíduo criança, um vir a ser (PONTY, 2010). A Dança, por sua vez, traz significações outras à tona como forma de possibilidade de ser, o que reconfigura pensamento, mantendo-o crítico, atento e sensível ao mundo ao redor e protagonista da cultura, podendo contaminá-la e por ela ser contaminado. (GREINER, 2005). Porém, conforme o movimento ganha espaço institucional bem como outras linguagens das Artes Cênicas, este pode tornar-se também limitador, uma vez que a sociedade transcende suas questões geracionais e emerge subjetividades ainda não nomeadas. A performance, linguagem que exerce a transdisciplinaridade no ato da indisciplina (portanto, deprende-se do tempo capital que se apega ao produto disciplinar, mecanizado e produtivo), surge como um caminho possível de aproximação dos alunos, consequentemente do corpo docente e das famílias, com a organicidade do fazer. A performance possui uma linguagem híbrida, possibilitando o desbravamento de novas perspectivas e percursos metodológicos como um território que estimula novos processos criativos de aprendizagem, provocando novas formas de abordagens e um alcance maior além das práticas pedagógicas tradicionais, nas quais privam o corpo de diversas formas. A performance oferece à prática uma abertura para o inusitado, o imprevisível e o vivencial, sendo uma forma de ensino que reconstrói o conhecimento a partir do corpo, da afetividade e da emergência do instante. Compreendida como prática processual e investigativa e que muitas vezes não busca um produto final, mas sim o acontecimento, o percurso e a experiência vivencial no instante. Tal perspectiva abre espaço para o inusitado e o imprevisível, instaurando novas formas de pensar e fazer, possibilita o encontro e a transformação, fortalecendo o papel da escola como território de criação, diálogo e resistência cultural (SANTOS, 2000).
Referências
ENEPEX 2025