IMPROVISANDO CONFLITOS: MANOEL DE BARROS E A RESSIGNIFICAÇÃO DA VIOLÊNCIA PELA DANÇA.
Palavras-chave:
Pibid, Improvisação, Violência, Dança-educaçãoResumo
O presente resumo tem como objetivo apresentar a experiência docente vivenciada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculada ao curso de Licenciatura em Dança da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A ação foi desenvolvida com uma turma do 5º ano dos Anos Iniciais da Escola Municipal Etalívio Pereira Martins (Campo Grande/MS), com foco em práticas de improvisação em dança a partir de estéticas da Dança Contemporânea. Assim, a proposta fomenta não apenas a ampliação dos repertórios corporais dos alunos, mas também a inserção dos pibidianos e da professora supervisora em um contexto de experimentação, proporcionando contato com fundamentos e técnicas da dança contemporânea e estimulando a criação artística consciente. As práticas didáticas dos bolsistas ocorreram por meio de observações e regências, acompanhadas pela professora supervisora, visando proporcionar aos licenciandos vivências como professores na rede básica de ensino. As atividades com os alunos da escola foram articuladas ao projeto anual “Feira dos Saberes”, tem para esta turma tem o tema “Projeto de Vida”. A partir desse tema, foram tratados desdobramentos quanto às profissões da dança: coreógrafos, diretores artísticos, bailarinos, figurinistas, etc. A culminância semestral ocorreu por meio de uma criação coreográfica para a Festa Julina, articulando o tema da turma com os poemas de Manoel de Barros. Assim, foram propostas atividades de improvisação e experimentação prática que, em etapas, conduziram os alunos à criação de histórias e narrativas corporais, resultando na elaboração de partituras de movimento e, posteriormente, na coreografia final. No início do processo, observou-se que grupos compostos majoritariamente por meninos apresentavam narrativas relacionadas à violência, como assaltos e confrontos entre polícia e “ladrão”. O gestual mais presente foram aqueles relacionados com uso de armas, máscaras faciais, fugas em alta velocidade e agressão “de mentirinha”. Com o avanço das aulas, tais temáticas também passaram a aparecer nos grupos formados por meninas. Esse fenômeno motivou discussões coletivas sobre as escolhas narrativas, abrindo espaço para reflexões acerca de outras possibilidades criativas e caminhos expressivos. A partir dessas observações, os acadêmicos bolsistas passaram a propor atividades e experimentações que buscassem ressignificar as partituras de movimento que remetessem a agressões e violências.
Referências
ENEPEX 2025