CORES E TRAÇOS QUE CONTAM HISTÓRIAS: OFICINA DE GRAFISMO INDÍGENA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERCULTURAL
Palavras-chave:
saberes tradicionais, diversidade cultural, identidades indígenasResumo
O grafismo indígena é uma das expressões culturais dos povos originários, manifestando-se em pinturas corporais, cestarias, cerâmicas e outras formas de arte que, além da estética, carregam valor simbólico e comunicacional. Os traços funcionam como um idioma visual, permitindo identificar aspectos como etnia, gênero, idade e pertencimento, sendo, portanto, patrimônio cultural de grande relevância. A valorização dessas manifestações no espaço escolar é fundamental para fortalecer identidades culturais e promover o respeito à diversidade. Nesse sentido, em abril de 2025, durante a Semana dos Povos Originários, foi desenvolvida na Escola Estadual “Castro Alves”, em Dourados (MS), uma ação integrada que articulou leitura de textos, exibição de vídeos e a realização de uma oficina de grafismo indígena com estudantes do 4º ano B, com idades entre 9 e 12 anos. O objetivo foi aproximar os alunos dos elementos artísticos e históricos dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, incentivando a preservação de saberes tradicionais e a valorização da interculturalidade. As atividades foram planejadas em consonância com a Lei nº 11.645/2008, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de história e cultura dos povos originários do Brasil, assegurando que a Educação Básica contemple a diversidade étnica e cultural do país. A ação contou com a participação de acadêmicas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), vinculadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), dentre elas, mulheres indígenas da etnia terena, residentes na aldeia Jaguapiru da Reserva Indígena de Dourados (MS). A metodologia desenvolvida envolveu inicialmente leituras e diálogos em sala de aula sobre a temática, seguidos de uma oficina realizada na biblioteca escolar, na qual foram abordados os significados e a diversidade dos grafismos, bem como a produção sustentável de tintas a partir de recursos naturais. A oficina contou ainda com a exibição do vídeo de Rossandra Cabreira, pesquisadora indígena dedicada ao estudo do grafismo das etnias sul-mato-grossenses, além da exposição de artesanatos, livros e elementos das culturas materiais indígenas. As tintas naturais utilizadas — produzidas com urucum, açafrão, carvão e folhas — possibilitaram aos estudantes a vivência prática da pintura, permitindo que experimentassem o simbolismo de cada traço e sua relação com a identidade de diferentes povos. Como resultado, os estudantes não apenas reproduziram grafismos em papel, mas também desenvolveram maior compreensão sobre a diversidade cultural e o valor da preservação dos saberes indígenas. A atividade foi concluída com rodas de diálogos, em que os participantes compartilharam suas percepções, fortalecendo a relação entre seus conhecimentos prévios e os novos aprendizados. A experiência evidenciou a relevância de práticas pedagógicas interativas e culturalmente contextualizadas, capazes de promover aprendizagens significativas, contribuir para o fortalecimento de identidades e estimular o respeito às diversidades, em consonância os ODS 4 (Educação de Qualidade), 10 (Redução das Desigualdades) e 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis).
Referências
ENEPEX 2025