Localização e origem linguística dos Guarani-Ñandéva

Márcio Amieiro Nunes

Resumo


Neste artigo, faremos uma breve abordagem linguística do dialeto falado pelo subgrupo Guarani-Ñandéva. Com base nos principais pesquisadores da área como Rodrigues (2002) e Schaden (1962), buscamos os fatos mais relevantes sobre o povo Guarani, tanto em sua localização territorial, quanto em suas raízes linguísticas. Nosso principal objetivo é, no entanto, divulgar a cultura nativa e refletir sobre algumas questões da linguagem que envolvem o dialeto do subgrupo Ñandéva. Em um primeiro momento, destacamos alguns fatores migratórios e territoriais, a fim de alcançarmos uma conexão mais profunda concernente às diferenças étnicas que influenciaram na linguagem desse subgrupo Guarani. Como não há muitos estudos linguísticos sobre os Ñandéva, percebemos a necessidade de mais pesquisas acerca das línguas nativas, as quais estão cada vez sendo menos falada pelo seu próprio povo. Assim, muitas delas correm o risco de morrerem ou serem extintas sem que haja qualquer investigação específica e aprofundada sobre elas. Devido a isso, direcionamos este estudo à língua dos Ñandéva, citando, brevemente, alguns acontecimentos históricos, com a finalidade em despertar maior interesse pelo assunto, deixando assim, o campo aberto para outras pesquisas nesta área. Quanto a sua população, não há um número exato, mas apenas estimativas, por exemplo, ao confrontarmos o último censo (2010) feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com os números apresentados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) percebemos que há divergências nos dados divulgados em cada instituição. Em um segundo momento, com base na pesquisa feita por Mello (2007), abordamos alguns depoimentos de nativos que apontam, não apenas às diferenças linguísticas do dialeto Ñandéva, até mesmo em comparação às aldeias espalhadas em diferentes regiões do país, mas também à denominação atribuída aos outros povos dos subgrupos Guarani. Com isso, pretendemos despertar mais interesse pelos estudos das línguas ameríndias, nesse caso, do povo Guarani, especialmente do subgrupo Ñandéva.

Palavras-chave


linguagem; dialeto; língua nativa; etnias.

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