MULHERES INDÍGENAS TERENAS
narrativas sobre gênero, luta e resistência
Palavras-chave:
História Oral. Indígenas Terenas. Gênero. Patriarcado. Relaçoes de Poder.Resumo
A pesquisa intitulada MULHERES INDÍGENAS TERENAS: NARRATIVAS SOBRE GÊNERO, LUTA E RESISTÊNCIA refere-se ao recorte da pesquisa defendida como trabalho de conclusão de curso da Especialização Educação em Diversidades e Inclusão: políticas, currículos e práticas pedagógicas/EEDI/Maracaju e teve como objetivo discorrer sobre as vivências das mulheres terenas em uma aldeia em Sidrolândia, abordando a resistência feminina, às pautas de luta com território e direitos indígenas, concomitantes às questões internas, relacionadas ao patriarcado e masculinidades, que ocasionam nas relações entre homens e mulheres indígenas, condições de silenciamentos e invisibilidade às mulheres. Como justificativa, considera-se que a mulher terena tem-se colocado em disputas constantes, visto que elas convivem diariamente com dificuldades relacionadas à defesa da terra, de seus territórios, retomadas, das violências simbólicas, seja nas suas relações externas à aldeia, em que resistem diariamente às formas de machismos tanto hegemônicos ou pós colonial , desencadeados também em conflitos internos. Sob esse aspecto, a partir do dispositivo feminismo, a identificação da mulher indígena com o movimento feminista, sempre esteve distante de seus interesses e necessidades de suas comunidades e coletivos, já que os interesses se voltavam às mulheres com privilégios institucionais, profissionais, acadêmicos e com lugares de destaque acerca de elementos como raça, classe, sexualidade e geopolítica. Durante um longo período foram colocadas em uma categoria rígida e única, sem identificação e legitimidade de suas pautas de luta. Ao fazer suas narrativas orais, propiciaremos às mulheres, a escrita do seu saber histórico, com definição de sua identidade, dispondo percepções de seu presente, ancoradas no
seu passado, mas com possibilidades de visibilizar seus feitos e sua atuação política em seu meio social. Para a realização dessa pesquisa, entrevistamos três mulheres indígenas da aldeia Tereré, a primeira mulher cacique e duas professoras que tiveram cargos institucionais na Secretaria de Educação da cidade de Sidrolândia. As entrevistas foram protocoladas e aceitas no Comitê de ética da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e assinadas por meio de Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) com datas e horários definidos pelas mulheres entrevistadas, realizadas
com gravação de voz pelo aparelho celular da pesquisadora de maneira que não ocorra de
identificação das entrevistas, sem coleta de imagens ou vídeos das participantes durante a aplicação das perguntas. Para análise das entrevistas nos aportaremos em Cruz (2020), Duarte (2017), Lugones (2008), Matos (2012) e nos aportes sociológicos de ELIAS (2003, 2011) que ressaltam que mesmo considerando as formas de coletividade étnica, há existência aplacadora do patriarcado que permeia as relações e na balança de poder, desequilibrando as posições femininas nos espaços de poder. Como resultados, almejamos compreender como as mulheres indígenas mantém os equilíbrios de poder a partir das relações de gênero na Aldeia Tereré em Sidrolândia.