MULHERES NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO

Autores

  • Kaylane Rodrigues Ferreira Barbosa Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Maria Eduarda Ferro Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

MULHERES.ENSINO.SUPERIOR.BRASILEIRO

Resumo

Essa comunicação refere-se a uma pesquisa de iniciação científica em andamento, cujo objetivo consiste em conhecer as motivações e expectativas de mulheres que escolhem
cursos universitários frequentados majoritariamente por homens. A pesquisa ocupa-se de ouvir estudantes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), da Unidade Universitária de Dourados, que estejam na segunda metade do curso de graduação que frequentam. A metodologia empregada na condução da investigação consiste na revisão de literatura recente
sobre a temática, além da realização de entrevistas conduzidas pelos protocolos da História Oral. As entrevistas encontram-se em andamento, razão pela qual a presente exposição versará exclusivamente sobre a fundamentação teórica acerca da presença de mulheres no ensino superior brasileiro. A trajetória das mulheres no ensino superior, é marcada por uma história de superação, resistência e conquistas progressivas. Hoje as mulheres representam uma parcela significativa do público presente do ensino superior no Brasil e no Mundo, conforme aponta o Relatório de Monitoramento Global da Educação, produzido pela UNESCO, em 2024. No entanto, essa mudança não ocorreu de forma linear e sem obstáculos. Durante boa parte do século XX, o espaço acadêmico era massivamente masculino e as mulheres achavam-se restritas a poucos cursos, notadamente aqueles considerados ''adequados'', como Pedagogia, Letras ou Enfermagem. O documento "Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil", elaborado pelo IBGE, em 2021, reitera que a resistência era grande e que a sociedade via com extrema desconfiança a presença feminina em ambientes antes
inalcançados. Aliado a políticas públicas de acesso à educação e mudanças na dinâmica social, os movimentos feministas contribuíram para a ampliação do protagonismo feminino nas universidades. Assim, a partir das décadas de 1970 e 1980, o ensino superior deixou de ser uma exceção na vida das mulheres e passou a ser um espaço legítimo em suas vidas. Atualmente, as mulheres não só são maioria nas matrículas do ensino superior, como também apresentam maiores taxas de conclusão dos cursos, conforme atestam os dados do Censo Escolar, de 2022, e do Censo de Educação Superior, de 2023. Apesar disso, a presença feminina ainda não é homogênea em todas as áreas do conhecimento. As ciências humanas, da saúde e sociais aplicadas concentram a maior parte das alunas, enquanto as engenharias, tecnologias e algumas ciências exatas continuam sendo dominadas por homens. Ainda assim, continuamos observando um crescimento gradual da participação feminina nesses campos. Além do crescimento numérico, a presença das mulheres nas universidades também impulsiona reflexões importantes sobre currículo, ambiente acadêmico e representatividade. Questões como a inclusão de perspectivas de gênero nos conteúdos, o combate ao assédio e a valorização de trajetórias acadêmicas femininas têm ganhado espaço nos debates universitários.
Compreender essa trajetória histórica é essencial para valorizar o avanço conquistado e continuar lutando por igualdade plena no espaço universitário. 

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Publicado

2026-06-11

Edição

Seção

EIXO 3: EDUCAÇÃO, DIREITOS HUMANOS, DIVERSIDADE E INCLUSÃO