TRAJETÓRIAS DAS MULHERES “BOIAS-FRIAS” NO BRASIL
memórias e experiências de vida através da história oral
Palavras-chave:
EXPERIÊNCIAS.VIDA.HISTÓRIAResumo
A trajetória das mulheres “boias-frias” no Brasil revela um contexto marcado por desafios, resistência e invisibilidade social. Originadas nas migrações internas para o trabalho temporário nas lavouras, essas trabalhadoras desempenharam papel fundamental na economia rural, mas enfrentaram duplas jornadas, condições degradantes e ausência de direitos trabalhistas. A expressão “boia-fria”, proveniente da maneira como se alimentam em meio ao trabalho rural, indicia as condições verdadeiramente precárias e, até mesmo, degradantes, vivenciadas por essas mulheres. Esta comunicação é parte de uma pesquisa em andamento, realizada no âmbito do curso de graduação em Pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade universitária de Dourados. Busca-se, com a investigação, acessar as experiências e trajetórias dessas mulheres, identificando as dificuldades enfrentadas
e as estratégias de resistência que desenvolveram ao longo dos anos. A pesquisa adota a metodologia da história oral, que permite a captura de dimensões subjetivas das vivências e dos significados atribuídos ao trabalho e à vida por parte dessas mulheres. As entrevistas semi-estruturadas terão como interlocutoras mulheres na faixa dos 70 anos com experiências pregressas que proporcionarão aproximações sensíveis dessa realidade. Sustentam esta pesquisa escritos que destacam a participação das mulheres boias-frias em movimentos reivindicatórios e sua resistência frente à marginalização, assim como discussões que evidenciam opressões interseccionais relacionadas à classe, gênero e raça. Os objetivos incluem compreender as condições de trabalho dessas mulheres, identificar suas percepções sobre as experiências vividas e analisar o impacto da condição de “boia-fria” em suas vidas
pessoais e familiares. Assim, o estudo visa visibilizar suas vozes e promover reflexões sobre suas contribuições e desafios, reconhecendo suas histórias como importantes testemunhos de resistência e dignidade, ampliando o debate sobre direitos humanos, diversidade e inclusão no contexto educacional e social brasileiro.