AS DISCUSSÕES SOBRE GÊNERO NO CURRÍCULO ESCOLAR
por uma educação decolonial
Palavras-chave:
Gênero; Currículo; Decolonialidade.Resumo
O presente artigo propõe uma reflexão crítica sobre a importância de discutir gênero no
ambiente escolar, especialmente no contexto do estado de Mato Grosso do Sul, uma das
regiões com os maiores índices de denúncias de LGBTfobia no Brasil. A partir da realidade
de exclusão, silenciamento e violências simbólicas enfrentadas por pessoas que não se enquadram nas normas heteronormativas, o trabalho busca evidenciar como a ausência de debate sobre gênero nas instituições de ensino contribui para a manutenção de estereótipos, opressões e desigualdades históricas, com base em autores que discutem a perspectiva decolonial, como Mignolo (2017) e Paraíso (2016). Nos baseamos a partir de relatos, análises teóricas e fatos ocorridos conforme noticiados pela mídia. Evidenciamos que o currículo escolar carrega marcas de uma estrutura colonial e patriarcal, que impõe normas rígidas de gênero desde a infância, ainda mais quando mostra crianças que expressam comportamentos ou identidades fora do padrão hegemônico são frequentemente excluídas, silenciadas ou
subalternizadas. Denunciamos como discursos conservadores e movimentos sociais tentam deslegitimar o debate de gênero nas escolas, classificando-o erroneamente como “doutrinação”. Defende-se, portanto, que discutir gênero é uma ação educativa urgente e política, que deve ser parte integrante da formação docente e das práticas pedagógicas, a fim de promover uma educação crítica, acolhedora e comprometida com os direitos humanos e a justiça social.