FUNDAMENTO TEÓRICO E HISTÓRICO-CULTURAL NA FORMAÇÃO REFLEXIVA DE PROFESSORES DE ALUNOS AUTISTAS
Palavras-chave:
Educação inclusiva. Transtorno do Espectro Autista (TEA). Formação de professoresResumo
A teoria histórico-cultural de Lev Vygotsky como base fundamental para a formação reflexiva de professores que trabalham com alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Vygotsky destaca a importância das interações sociais no desenvolvimento humano e propõe a mediação pedagógica como elemento essencial no processo de
aprendizagem. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por dificuldades na comunicação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos, além de variações significativas nas capacidades cognitivas. Embora suas causas envolvam fatores genéticos e ambientais, o diagnóstico é clínico, baseado na observação comportamental e em ferramentas como o ADOS e o ADI-R. No contexto escolar, educadores podem ser os primeiros a identificar sinais do transtorno, como dificuldade de comunicação, contato visual reduzido e preferência por atividades solitárias. A abordagem de Vygotsky valoriza a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) – espaço entre o que o aluno consegue fazer sozinho e o que pode realizar com auxílio. O ensino deve estar ajustado a essa zona, proporcionando desafios que só podem ser superados com suporte adequado, especialmente relevante para estudantes com TEA. A aprendizagem ocorre, portanto, de forma social e mediada, sendo a
linguagem a principal ferramenta cultural, essencial para o desenvolvimento do pensamento. A internalização é outro conceito-chave: os processos cognitivos superiores surgem da interação social e são gradualmente assimilados pelo indivíduo. Em alunos autistas, esse processo pode ser estimulado por meio de repetição, reforço positivo, métodos estruturados como o TEACCH e ambientes previsíveis que reduzam a sobrecarga sensorial. O papel do professor, na visão vygotskiana, é o de mediador do conhecimento, utilizando ferramentas
físicas (livros, computadores) e simbólicas (linguagem, escrita) para facilitar o processo de aprendizagem. A mediação eficaz exige adaptações metodológicas, estratégias visuais e colaboração com outros profissionais. A formação reflexiva de professores deve ser contínua, colaborativa e centrada na análise crítica da prática pedagógica. Envolve três etapas: aprendizagem social, apropriação do conhecimento à realidade docente e internalização com aplicação autônoma. A obra Pensamento e Linguagem reforça que a linguagem molda o pensamento e passa por três fases: social, egocêntrica e interna. Em alunos com TEA, estratégias como modelagem da linguagem, histórias sociais e comunicação alternativa são indispensáveis. Em suma, a teoria de Vygotsky oferece um referencial sólido para a construção de uma educação inclusiva, significativa e adaptada à diversidade. A mediação pedagógica, o respeito à ZDP e a formação docente crítica e reflexiva são pilares fundamentais para garantir o desenvolvimento pleno de alunos com TEA.