ENTRE PIADAS E PADRÕES
machismo e ideologia de gênero na seção 'informe cururu' do jornal o progresso
Palavras-chave:
Imprensa; Educação; Ideologia de gênero; Machismo; Informe Cururu.Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar como a seção humorística “Informe Cururu”, publicada no jornal O Progresso de Dourados/MS, contribui para a reprodução de discursos machistas e estereotipados sobre as mulheres, especialmente no contexto político e social brasileiro pós-2016. A escolha desse recorte temporal se justifica pelo fortalecimento de discursos conservadores e antifeministas a partir do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, culminando na eleição de Jair Bolsonaro em 2018. A investigação baseia-se em uma abordagem qualitativa, com análise documental e crítica de trechos e imagens veiculados pela seção humorística “Informe Cururu” entre 2015 e 2019. Como aporte teórico, são utilizados autores como Bourdieu (2002), Butler (2016), Liguori (2015), entre outros. O estudo evidencia como o humor que veicula na imprensa pode funcionar como mecanismo simbólico de reforço de padrões desiguais, esvaziando lutas por direitos e igualdade de gênero. Um exemplo marcante é o uso da expressão “Ele Não”, de forte carga feminista, em uma piada sobre mulheres que correm atrás de homens casados, o que banaliza sua potência política. Outra imagem analisada sugere que uma mulher serve como “contrapeso” físico no trator conduzido por um homem, reduzindo a figura feminina a um corpo útil e submisso. Também são observadas piadas que exaltam discursos colonialistas ou ironizam movimentos sociais. Conclui-se que a seção “Informe Cururu” atua como espaço de naturalização de ideologias excludentes, onde o humor funciona como veículo para reforçar desigualdades de gênero e para deslegitimar pautas de igualdade social.