EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ENSINO SUPERIOR: ACESSO, PERMANÊNCIA E DESAFIOS PARA A INCLUSÃO

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Resumo

A ampliação do acesso das pessoas com deficiência ao Ensino Superior brasileiro exige discutir não apenas o ingresso, mas também as condições de permanência, participação, aprendizagem e conclusão da graduação. Essa discussão aproxima-se dos pressupostos da educação inclusiva ao reconhecer que diferenças linguísticas, sensoriais, intelectuais ou comunicacionais não podem ser compreendidas exclusivamente a partir de limitações individuais, sendo necessário considerar também as barreiras educacionais, sociais e atitudinais que interferem na trajetória acadêmica. Nesse sentido, a Educação Especial, como modalidade transversal, também alcança o Ensino Superior e requer ações institucionais capazes de assegurar equidade aos estudantes público-alvo dessa modalidade. A Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146/2015, estabelece medidas individualizadas e coletivas que favoreçam o desenvolvimento acadêmico e social, além da oferta de recursos de acessibilidade e adaptações razoáveis. A legislação também prevê condições de acessibilidade nas avaliações, incluindo provas em formatos acessíveis e dilação de tempo, quando necessária. Entretanto, a existência do direito formal não garante, por si só, sua efetivação. No cotidiano universitário, ainda podem ser encontradas barreiras pedagógicas e atitudinais, dificuldades na adaptação de materiais, provas e trabalhos, além da resistência de alguns profissionais em compreender que essas medidas constituem direitos e condições de acesso ao conhecimento. A inclusão universitária exige respostas institucionais que ultrapassem o acesso e alcancem a permanência do estudante. Nessa perspectiva, adaptar materiais didáticos, avaliações, trabalhos, metodologias e recursos não significa reduzir a qualidade acadêmica nem facilitar indevidamente o processo avaliativo, mas possibilitar condições diferenciadas de acesso e participação, preservando os objetivos de aprendizagem. A formação e a experiência docente na Educação Superior reforçam a importância da preparação dos professores para a construção de práticas inclusivas, sendo a conscientização dos profissionais da educação um aspecto fundamental. Parte da resistência à Educação Especial pode estar relacionada ao desconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência ou à compreensão equivocada de que a adaptação representa privilégio. Destaca-se, ainda, a relevância dos núcleos de acessibilidade na identificação e eliminação de barreiras no ambiente universitário, bem como a importância de políticas institucionais voltadas ao acesso, à permanência e à acessibilidade. Assim, a inclusão não pode ser responsabilidade exclusiva do profissional especializado, mas compromisso compartilhado entre docentes, coordenações, gestores e demais setores institucionais. Outro desafio refere-se à preocupação com a futura inserção no mercado de trabalho. A universidade deve contribuir para o desenvolvimento da autonomia e das competências profissionais, porém a expectativa em relação às exigências profissionais não pode justificar a retirada de adaptações necessárias durante a graduação. A própria Lei Brasileira de Inclusão prevê igualdade de oportunidades, acessibilidade e adaptações razoáveis no trabalho. Portanto, assegurar recursos, estratégias pedagógicas e acessibilidade durante a formação não significa diminuir exigências, mas oferecer condições para que o estudante desenvolva suas potencialidades, amplie sua autonomia e participe efetivamente da vida acadêmica e profissional.

Biografia do Autor

  • José Carlos Quirino, UEMS

    Possuo Graduação em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pela UNOPAR (2015), Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal de Uberlândia - Campos Pontal (2021), Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Intervale (2022), Licenciatura no Eixo Tecnológico: Gestão e Negócios pela Faculdade de Educação Paulista (2022), Curso Superior Sequencial em Gestão de Marketing e Vendas pelo Instituto de Ensino Superior de Minas Gerais IESMG (2022), Licenciatura em Letras Libras pelo Centro Universitário ETEP (2023), Licenciatura em Ensino Religioso pela Faculdade Única de Ipatinga (2023), Especialização em Gestão e Negócios pela Universidade Cândido Mendes (2015), Especialização em Ciências da Religião pela Faculdade Dynamus de Campinas FADYC (2021), Especialização em Atendimento Educacional Escolar Especializado em Educação Especial e Inclusão pela Universidade Intervale (2022), Especialização em Gestão Escolar Integradora: Administração, Inspeção, Orientação e Supervisão pela Faculdade IBRA de Brasília (2023), Especialização em História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira pela FACUMINAS (2023). Tenho experiência na área de Recursos Humanos, Ensino Religioso, atuando como professor e coordenador dos cursos Técnicos em Logística e Transações Imobiliárias.

Publicado

2026-09-24