Maçambique em Canção: Identidade territorial afro-açoriana na Tafona da Canção Nativa
Palavras-chave:
Identidade Territorial; Maçambique de Osório, Cultura afro-açoriana; Tafona da Canção Nativa; Festival de Música.Resumo
O artigo analisa a construção da identidade territorial afro-açoriana no Litoral Norte do Rio Grande do Sul por meio das canções apresentadas na Tafona da Canção Nativa, festival musical sediado em Osório desde 1989. A pesquisa destaca o papel do festival na valorização de expressões culturais locais, especialmente aquelas vinculadas à presença negra e à tradição do Maçambique, manifestação folclórico-religiosa enraizada na devoção a Nossa Senhora do Rosário. A partir da análise de canções selecionadas – como “Festa do Rosário”, “Nega Maçambiqueira” e “Moçambique de Branco” –, o estudo evidencia como elementos simbólicos, históricos e geográficos do território são expressos liricamente, reforçando laços identitários e narrativas de pertencimento. Com base em autores como Haesbaert, Arruti e Molet, o estudo aborda a noção de identidade territorial quilombola e a existência de um “litoral negro”, articulando cultura, memória e religiosidade. O Maçambique é apresentado como expressão de resistência e ancestralidade negra, ressignificada nas práticas contemporâneas e celebrada nos festivais. Além disso, o artigo discute como essa identidade territorial se manifesta também na indumentária, na oralidade e na musicalidade, integrando dimensões simbólicas e cotidianas do espaço vivido. A pesquisa propõe que o reconhecimento dessas representações culturais é essencial ao fortalecimento do desenvolvimento local, entendido como processo sustentado na valorização da cultura e da identidade dos territórios. Assim, a Tafona constitui-se não apenas como evento artístico, mas como meio de difusão e afirmação da diversidade cultural e da memória afrodescendente no Rio Grande do Sul.