Sob o sol de todos, a cidade para poucos: mapeamento e análise da arquitetura hostil em Capão da Canoa/RS

Autores

  • Douglas Wesley Pires Sarmiento
  • Dilermando Cattaneo

Palavras-chave:

arquitetura hostil; Capão da Canoa; mapeamento; direito à cidade; paisagem urbana

Resumo

Este estudo objetivou mapear e analisar a presença da arquitetura hostil na paisagem urbana de Capão da Canoa/RS, compreendendo-a como estruturas que impedem, dificultam ou tornam desconfortável o uso e ocupação do espaço urbano. A metodologia baseou-se na perspectiva da paisagem perceptiva de Verdum (2012), com trabalho de campo no bairro Centro da cidade para levantamento de dados, georreferenciamento e registro fotográfico. As estruturas identificadas foram categorizadas segundo os critérios de forma, função e estrutura. Os resultados revelaram um total de 245 estruturas hostis, indicando um fenômeno amplamente disseminado. A análise da forma demonstrou a predominância de elementos como arbustos e pedras na composição das estruturas hostis. Verificou-se, ainda, que a presença da arquitetura hostil na cidade tem como função principal impedir ou dificultar descanso imediato, principalmente em lugares cobertos. Já a análise da estrutura demonstrou que os elementos hostis concentram-se em áreas privadas de uso público – como fachadas de edifícios residenciais – sugerindo uma relação entre a arquitetura hostil e a proteção da propriedade privada. Por fim, conclui-se que a presença da arquitetura hostil no município funciona como um instrumento de segregação socioespacial, atingindo principalmente populações mais vulneráveis, impulsionada principalmente pela lógica privada da defesa da propriedade em detrimento do direito coletivo à cidade. Este estudo, portanto, posiciona-se como uma ferramenta de denúncia e reivindicação por um espaço urbano mais democrático, em diálogo com a Lei nº 14.489/2022 – conhecida como Lei Padre Júlio Lancelloti.

Publicado

2026-08-06