Popularização da Ciencia e da Astronomia: Construindo relações céu e lugar por meio das observações astronômicas

Autores

  • Leandro Estevão Gomes Valdez
  • Cecília Maria Pinto Nascimento
  • Paulo Souza da Silva

Resumo

Embora ações não formais e de divulgação científica possam ocorrer em espaços com diferentes especificidades, ao considerarmos os espaços no estado de Mato Grosso do Sul (MS) identificados enquanto instituições não formais dedicadas prioritariamente à divulgação das ciências naturais – Biologia, Física, Química, Astronomia – contabilizaremos apenas a Casa da Ciência, um Centro de Ciências vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Levando em conta o Guia de Museus e Centros de Ciência da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), outro espaço no estado, com a mesma especificidade, é contabilizado, o Observatório Solar Indígena dedicado à temática da Astronomia nas Culturas, localizado no campus da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Dourados. Assim, no campo da divulgação da Astronomia, esses espaços não conseguem atender a demanda em relação à população do estado e da região da grande Dourados. Acreditamos que a popularização da Astronomia seja importante por diferentes motivos, entre eles: forte presença na cultura e no cotidiano; capacidade para promover a compreensão da realidade local e global; suscitar a construção e/ou resgate de relações céu e terra regionalizadas. Esta última concede um grande apelo a essas ações no estado, em especial pela presença numerosa de grupos indígenas e quilombolas. Portanto, por meio de uma ação extensionista da UEMS intitulada Projeto Saturno, vinculada ao curso de Licenciatura em Física, realizamos atividades de observações astronômicas à vista desarmada e com uso de telescópios em espaços públicos e privados destinados a estudantes e professores da educação básica e superior, ao público geral e a uma comunidade quilombola no período de julho/2018 a maio/2019, na região da grande Dourados. As ações permitiram oferecer aos diferentes públicos um conhecimento diversificado da astronomia teórica e experimental, e a partir da curiosidade do público expressa nas mais variadas perguntas, foi possível expandir esse conhecimento para áreas da astrofísica, da cosmologia e da construção e montagem de telescópios. Nos momentos iniciais das ações de observação chamávamos atenção para os movimentos aparentes do Sol, Lua, planetas e fundo de estrelas do céu noturno para explicar os movimentos de rotação e translação da Terra e destacar como consequência do movimento de translação, a configuração diferente do céu noturno nas primeiras horas da noite em cada estação do ano. A partir dos conhecimentos locais da cultura Guarani Kaiowá, foi possível chamar atenção do público para as relações céu e terra regionalizadas. Assim, conseguíamos motivar e incentivar alguns participantes a realizar um exercício de construir relações céu e terra vinculando atividades rotineiras em certas épocas do ano, festas importantes na cidade, floração de árvores nativas, abundância de determinadas frutas, entre outras. Em especial, na comunidade quilombola, foi interessante presenciar o exercício de adultos e idosos para lembrar nomes correspondentes a constelações locais, sua localização exata no céu e o seu significado ou relação com atividades sociais. Dentre alguns nomes lembrados estão Caminho de São Thiago correspondente à faixa da Via Láctea e Cova de Adão que não teve sua localização no céu identificada.

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Publicado

01/04/2020

Como Citar

Valdez, L. E. G., Nascimento, C. M. P., & Silva, P. S. da. (2020). Popularização da Ciencia e da Astronomia: Construindo relações céu e lugar por meio das observações astronômicas. ANAIS DO SEMEX, (12). Recuperado de https://anaisonline.uems.br/index.php/semex/article/view/6700

Edição

Seção

EDUCAÇÃO

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