DISCURSO DE COTAS NA UEMS: UMA QUESTÃO POLÊMICA

Maria Francisca Valiente, Marlon Leal Rodrigues

Resumo


A situação do negro no Brasil, especialmente nas universidades públicas, tem sido alvo de profundos debates e controvérsias gerando, no momento atual, inúmeros conflitos e grandes polêmicas, sobretudo em se tratando do sistema de cotas, ou seja, uma reserva de vagas para os negros concorrerem entre si, fato este que aumentaria em número significativo a representação do negro no meio social onde se exige o curso superior. O sistema de cotas nas universidades públicas, entre outras questões, promovem um debate sobre a identidade do
afro-descendente e do brasileiro de forma geral, identidade esta construída historicamente por anos de opressão e
preconceito desde o regime de escravidão no Brasil. Vale salientar que todos estes aspectos influenciaram pelo
efeito de sentido no processo de construção dessa identidade que não é homogênea. Desse modo o afro-
descendente vai se tornando fragmentado, composto de identidades contraditórias. Neste sentido, o objetivo
geral do presente trabalho é analisar quais os discursos que constituem o debate sobre as cotas e a identidade dos
cotistas na UEMS, considerando os discursos sobre políticas, reparação histórica e sua implantação das cotas na
UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) que foi uma das primeiras universidades a implantar o sistema de cotas para negros e índios. Uma das considerações diz respeito que o ingresso no meio universitário demandou certos sentido que acabou por afetar a forma como os afro-descendentes se representam discursivamente. O ingresso no meio universitário através do sistema de cotas representa para o afro-descendente uma forma de posicionar-se politicamente e tornar-se sujeito de sua própria história, sujeito este que cobra seus direitos, que reivindica seu espaço, que luta contra a discriminação e contra o preconceito.

Palavras chaves: Discurso; Identidade; Cotas.

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