A Criança e a Infância na obra A REPRESENTAÇÃO DO TEMPO NA CRIANÇA (1938) de Sylvio Rabello

Tatiane Severgnini da Cruz, Maria Eduarda Ferro

Resumo


Nossa pesquisa desenvolvida em nível de iniciação científica objetivou apreender a construção dos conceitos de “criança” e “infância” na obra “A Representação do Tempo
na Criança” (1938), do educador pernambucano Sylvio Rabello. A obra exerceu significativa influência na formação do professorado brasileiro, em especial na primeira
década do século XX. Interessado na obtenção de um “esboço da fisionomia mental da nossa criança”, o pensamento de Rabello confere importância ao estudo da infância,
porém assume a criança como um “objeto de investigação” a ser “descrito” e “fixado” em suas dimensões “somáticas e psíquicas”. “As crianças e os alienados” são, para
Rabello, seres “inadaptados”, “irredutíveis”, “fora da ordem social em qualquer nível de civilização da comunidade – o que vem confirmar a noção de que nos agrupamentos
primitivos a criança e o adulto estariam na mesma condição de identidade”. Em patamar de inferioridade em relação ao adulto, a criança é retratada de modo abstrato e
generalizante. As principais características presentes nessa leitura da infância consistem na sua “incompletude”, “falta de experiência”, “necessidade de auxílio” e “incapacidade
de compreender ou fazer-se compreender”. Ao adulto cabia a responsabilidade pela almejada “completude”; forjada pelo controle, disciplina e moralização. Apesar das
críticas possíveis ao pensamento de Rabello, sobretudo quando o confrontamos com as concepções contemporâneas de “criança” e “infância”, é impossível compreendê-lo sem
considerarmos o momento de sua produção: imerso no ideário escolanovista para o qual a psicologia experimental apresentava-se como a mais importante ciência auxiliar da
educação.

Palavras-chave: História da Educação, Pensamento Pedagógico, Criança, Infância.

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