INTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS ENTRE FORMIGAS URBANAS (HYMENOPTERA: FORMICIDAE) QUE FORRAGEIAM ISCAS ATRATIVAS EM UM HOSPITAL DE IVINHEMA, MS, BRASIL

Vanessa Samúdio dos Santos, William Fernando Antonialli Jr

Resumo


O estudo de formigas em hospitais tem despertado grande interesse, devido ao
potencial destes  insetos como vetores de  infecções  intra-hospitalares. Inventariamentos
da  fauna  de  formigas  em  hospitais  demonstraram  que,  de  fato,  elas  transportam
microorganismos patogênicos. Estas amostragens, em geral, são  feitas através de  iscas
atrativas. Entretanto, há diferenças nos hábitos comportamentais das diferentes espécies
de  formigas  frente  às  fontes  alimentares,  isto  gera  uma  dúvida  em  relação  aos
procedimentos  metodológicos  de  amostragens  que  empregam  iscas  atrativas,  o  que
deixa a dúvida se inventariamento empregando este método estão realmente amostrando
a  fauna  total  visitante  ou  privilegiando  as  comportamentalmente  dominantes  em
detrimento  das  subordinadas. Desta  forma,  este  trabalho  teve  por  objetivo  avaliar  se
amostragens  de  comunidades  de  formigas  que  ocorrem  em  um  hospital,  feitas  por
iscamento  são  de  fato  eficientes  levando-se  em  conta,  o  tempo  de  exposição  e  as
interações das diferentes espécies nas  iscas. Ainda, neste contexto foram  inventariados
os  fungos  que  usavam  as  formigas  como  vetores  para  dispersão.  Para  tanto  foram
realizadas observações em  iscas no período entre  julho a março de 2009, num  total de
432 horas sobre 16 pontos, 14 no  interior e 2 no exterior do hospital, sendo 216 horas
realizadas em cada uma das duas estações, quente/úmida e fria/seca. Para a análise dos
possíveis microrganismos associados, uma amostragem de 30 formigas foram colocadas
para andar  individualmente em placas de Petri de 9 cm de diâmetro contendo 1 ml de
meio de  cultura  semi-seletivo. Das 288  iscas  instaladas 42,7%  foram visitadas por 15
espécies  de  formigas.  Constatou-se  a  presença  de  formigas  em  16  dos  16  pontos  de
coleta, o que determinou um  índice de  infestação de 100% nas duas estações. Nossos
resultados  demonstram  que  o  tempo  de  90  minutos  para  exposição  das  iscas  é
suficiente, já que 100% da localização das iscas ocorreram até 50 minutos de exposição,
sendo que  a maioria ocorreu durante os primeiros 25 minutos. Pheidole megacephala
foi  a  espécie mais  freqüente ocorrendo  em 87,5% das  interações  e dominou 75% das
iscas  onde  houve  interação. As  outras  duas  espécies mais  freqüentes  nas  iscas  foram
Solenopsis invicta e Brachymyrmex sp1 que ocorreram em 31,2% dos pontos de coleta.
Das  30  amostras  analisadas  93,3%  estavam  contaminadas  por  fungos  de  14  espécies,
das  quais  86,6%  eram  do  gênero  Aspergillus  que  pode  causar  diferentes  tipos  de
doenças, sobretudo em ambientes hospitalares.

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