TEMPORALIDADE COMO PROBLEMA HISTÓRICO EM A MONTANHA MÁGICA, DE THOMAS MANN

Autores

  • Gong Li Cheng

Resumo

Este trabalho propõe uma análise histórico-crítica do romance A montanha mágica (1924), de
Thomas Mann, buscando compreender a problemática da representação temporal, posta em forma e
conteúdo na obra, em sua relação direta com o contexto material e histórico no qual o romance é
escrito. Tomamos como hipótese a tese de que o modernismo em confluência com o projeto de
modernidade, no início do século XX, tratou exaustivamente do tempo por estar periodizado no
contexto sócio-histórico de expansão do capitalismo monopolista, o que produziu um choque com
resíduos de outros modos de produção, com sua cultura e temporalidade próprias (JAMESON,
2005; 2011). Nesse cenário, os escritores vivenciaram a discrepância entre essas temporalidades
conflitantes, especialmente o tempo do campesinato (resquício feudal) e o tempo dos grandes
centros urbanos (indústria e monopólios). Além disso, a classe burguesa, em ascensão, viveu sob a
influência do ancien régime respaldada pelo poderio político e cultural das nobiliarquias agrárias
ainda vigentes à época (MAYER, 1987). Dessa forma, a ampliação material das sociedades
ocidentais, paradoxalmente, não correspondeu à ideia humanista de progresso. Na narrativa
manniana há representações desse momento de transição, do mundo arcaico do século XIX para o
mundo moderno e fragmentário do século XX (HEISE, 1990). Em A montanha mágica, o
deslocamento espacial (simbólico) realizado pelo protagonista, Hans Castorp, é que designa a
coexistência do mundo em processo de modernização (a planície) e o tempo suspenso, estagnado e
envolto pela obsolescência do passado (o sanatório na montanha de Davos). Por conseguinte, as
noções de tempo psicológico e tempo cronológico, cunhados por Benedito Nunes (2013) serão
desenvolvidos para endossar a discussão da percepção qualitativa do tempo. Por fim, através da
conhecida interpretação de Paul Ricoeur (2010), demonstrar-se-á como a representação do tempo
no romance desencadeia as temáticas da morte e da decadência da cultura europeia.

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Publicado

09/12/2019

Como Citar

Cheng, G. L. (2019). TEMPORALIDADE COMO PROBLEMA HISTÓRICO EM A MONTANHA MÁGICA, DE THOMAS MANN. ANAIS DO EGRAD, 6(9). Recuperado de https://anaisonline.uems.br/index.php/egrad/article/view/6024

Edição

Seção

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS