Quando o Currículo Não Encontra o Aluno: Análise de uma Experiência Pedagógica
Palavras-chave:
Três Momentos Pedagógicos, Ensino médio, BNCCResumo
O presente trabalho é resultado de observações e atuações realizadas no âmbito do PIBID, na Escola Estadual Rita Angelina Barbosa Silveira, durante o segundo bimestre, em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio, durante as aulas de Física. Para a análise, utilizou-se o Os “Três Momentos Pedagógicos”, de Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), que apresenta três etapas a serem consideradas em sala de aula: a problematização inicial, que busca contextualizar o conteúdo em relação à realidade dos alunos; a organização dos conhecimentos, em que, sob a orientação do professor, são apresentados os saberes necessários para a compreensão dos temas abordados e da problematização inicial; e, por fim, aplicação do conhecimento é a etapa em que o aluno utiliza o que aprendeu para interpretar as situações que motivaram o estudo e também outras situações diferentes, mas que podem ser entendidas com base nesse mesmo saber. Com base neste referencial analisou-se de forma qualitativa, as atividades observadas e a prática realizada no decorrer do bimestre. Inicialmente, é possível perceber que ao seguir o objeto de conhecimento previsto em base curricular pela BNCC “Análise e discussão sobre o lançamento de satélites, foguetes e sondas: a aplicação de conceitos das áreas da dinâmica, da mecânica [...]”, no componente de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, encontram-se limitações para o desenvolvimento da etapa de problematização inicial. Neste sentido, a professora optou por trabalhar os conteúdos: Lei da Gravitação Universal e das Três Leis de Newton no desenvolvimento das atividades propostas, em paralelo ao desenvolvimento do objeto de conhecimento já mencionado. Porém, embora essa escolha esteja alinhada à proposta curricular, ela não necessariamente reflete a realidade concreta dos estudantes, dificultando a mediação entre teoria e prática. As atividades tiveram início com a leitura e debate com a turma de 1° ano sobre uma notícia real, a respeito de lixos espaciais. Após, com a apresentação de vídeos de lançamentos espaciais, continuou-se a problematizar ocorrências verificadas nos vídeos, agora objetivando o debate que conduzisse os alunos ao reconhecimento de conceitos físicos. Assim, foi utilizada como estratégia de contextualização e problematização inicial, servindo de base para a introdução das leis físicas pertinentes, tanto o debate, quanto o uso de tecnologias. No entanto, no momento da aplicação dos conhecimentos, os alunos demonstraram dificuldades em estabelecer relações entre as situações-problema apresentadas e os cálculos teóricos. A avaliação da aprendizagem ocorreu de forma diversificada: pela resolução de exercícios em sala, pela produção de um banner coletivo, concretizadas na plataforma “Canva”. Além disso, a avaliação ocorreu também através dos resultados obtidos em provas e no RAV (Recuperar para Avançar). Apesar das estratégias apresentadas, constatou-se que seguir de forma rígida o currículo sugerido pela BNCC mostrou-se pouco eficaz. Conclui-se assim, que essa dificuldade poderia ser atenuada caso o ponto de partida das aulas fosse construído a partir de temas que permitissem o desenvolvimento de situações mais próximas da realidade dos alunos. Tal abordagem tende a favorecer uma aprendizagem mais significativa, ao aproximar os conceitos científicos da vivência concreta dos estudantes.
Referências
ENEPEX 2025