PERFORMAR, CRIAR, EDUCAR: RESSIGNIFICANDO A BALLROOM NO CONTEXTO ESCOLAR
Palavras-chave:
PIBID, Teatro, BallroomResumo
Este resumo, tem como objetivo, investigar a Cultura Ballroom e suas tecnologias como forma de ensino na educação básica, a partir das experiências de regência na Escola Municipal João de Paula Ribeiro no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Essa articulação surge da responsabilidade de criar um plano de aula em Arte na linguagem de Teatro para o segundo bimestre, para a turma de 6º ano, utilizando o Referencial Curricular de Arte da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande. Durante esse processo, trabalhamos a Arte Africana com foco no Egito Antigo, e relacionando a Lei da Frontalidade, elemento presente na cultura e arte egípcia, como possibilidade de criação cênica. Com base nos códigos disponíveis no referencial: (CG.EF69AR31.s) que relaciona a prática artística com os aspectos culturais; (CG.EF69AR139.n) que vislumbra a prática de construção teatral ligada a manifestações artísticas e histórico cultural; A partir disso foi proposto possibilidades e aprofundamos a construção dos planejamentos, juntamente com nossa professora supervisora, percebemos certos aspectos na temática que se associavam com a Cultura Ballroom. A Cultura Ballroom surgiu através dos bailes e festas periféricas nos Estados Unidos no decorrer dos anos 70, como forma de celebração entre as pessoas que eram marginalizadas: as pessoas negras, latinas e LGBTQIAP+ (sobretudo, gays, lésbicas, trans e bissexuais) nesses bailes, o intuito é valorizar características de pessoas queers que são constantemente rechaçadas pela sociedade, através de categorias que são inspiradas em vivências, estilos e narrativas que atravessam a comunidade LGBTQIAP+ preta e latina, criando um local de expressão artística e afirmação identitária. Cada tema propõe um desafio criativo, seja na moda, performance ou atitude, permitindo que participantes interpretem personagens, revisitem estéticas históricas ou projetem visões futuristas. Assim, o Ballroom se torna um palco para contar histórias, celebrar a diversidade e reivindicar espaços de protagonismo aos corpos das minorias. No entanto, introduzindo o conteúdo, resolvemos ressignificar a proposta para não focarem somente em batalhas competitivas e foco total nas percepções de beleza e estética, e sim local de experimentação, criação e fruição. Dentre os planos de aula, relacionamos as possibilidades estéticas de criação da cena Ballroom em aulas em que os alunos, com papelão levado pelos professores regentes, criassem adereços com o intuito de que compusessem um figurino para eles. Ainda em aula ligamos o cerne da lei da Frontalidade: figuras chapadas com rosto de lado e corpo de frente, com os elementos do Ballroom: seus movimentos e poses. E diferentemente do contexto da ballroom, enquanto ocorrem batalhas visando uma competição amistosa em busca de vencer uma categoria, no âmbito da educação, quando propomos que os alunos fiquem sobre os olhares “julgadores”, numa relação de cena x plateia, que poderia ser fragilizada ao se expor, se transforma em local de potência criativa e reflexão cultural. Concluímos então que a partir dos componentes curriculares obrigatórios em Arte, podemos articular diversos contextos políticos e culturais que permitem explorar jogos teatrais e a vivência em arte com os alunos e ajudar a transformar as experiências escolares.
Referências
ENEPEX 2025