Distribuição geográfica e autoecologia de oito espécies de Artibeus (Mammalia: Chiroptera) nos biomas brasileiros
Palavras-chave:
Morcegos frugívoros, Autoecologia, Ecologia da ConservaçãoResumo
A intensa degradação ambiental e a fragmentação de habitats naturais nas últimas décadas têm gerado perdas consideráveis na biodiversidade dos biomas brasileiros, especialmente em florestas tropicais. Esse processo acarreta a extinção local de espécies mais sensíveis e favorece a presença de organismos generalistas, alterando a dinâmica das populações. Os morcegos, embora possuam grande capacidade de deslocamento, também são afetados por esses impactos. Dentre os grupos mais representativos estão os frugívoros do gênero Artibeus (Mammalia: Chiroptera), importantes dispersores de sementes e polinizadores em ecossistemas tropicais. Apesar de sua relevância ecológica, ainda são escassas as informações sistematizadas sobre sua autoecologia e padrões de distribuição. Este projeto tem como objetivo principal analisar a distribuição geográfica e compilar dados autoecológicos de oito espécies do gênero Artibeus nos diferentes biomas brasileiros. Para isso, foram utilizados registros da base SpeciesLink e informações complementares de artigos científicos com coordenadas geográficas. As análises de cobertura vegetal foram feitas com base nos dados do Projeto MapBiomas (Coleção 5), utilizando o software QGIS (3.20.1). A autoecologia das espécies foi investigada por meio de revisão bibliográfica em bases indexadas na Web of Science, considerando aspectos como dieta, horário de atividade alimentar e padrões reprodutivos. A análise dos registros geográficos revelou que as oito espécies de Artibeus apresentaram ampla ocorrência nos biomas brasileiros, mas com padrões distintos de distribuição. Artibeus lituratus e A. planirostris mostraram-se amplamente distribuídos, com registros em todos os biomas, incluindo áreas antropizadas, evidenciando sua capacidade de explorar diferentes formações vegetais. A. obscurus e A. fimbriatus, por outro lado, concentraram-se majoritariamente na Amazônia e Mata Atlântica, associando-se a áreas com maior cobertura florestal e menor grau de fragmentação. Já A. concolor apresentou distribuição restrita, predominando na Amazônia, o que pode estar relacionado a sua maior sensibilidade à alteração de habitat. As espécies A. cinereus e A. gnomus apresentaram ocorrência pontual, principalmente na Amazônia e no norte do Cerrado, sugerindo exigências ecológicas mais específicas. Por fim, A. anderseni registrou-se de forma esparsa, com poucos pontos distribuídos entre Amazônia e Cerrado, indicando provável subamostragem ou baixa densidade populacional. Esses resultados reforçam que, embora algumas espécies do gênero possuam alta capacidade de adaptação, outras permanecem dependentes de ambientes florestais contínuos, sendo mais suscetíveis a processos de fragmentação e perda de habitat. A diversidade de respostas ecológicas observada entre os Artibeus evidencia a importância de políticas de conservação que considerem as especificidades de cada espécie e a proteção dos diferentes biomas. Assim, o mapeamento realizado não apenas amplia o conhecimento sobre a ecologia e distribuição do grupo, mas também subsidia ações voltadas à manutenção dos serviços ecossistêmicos que esses morcegos prestam, como a polinização e a dispersão de sementes, fundamentais para a regeneração de ecossistemas tropicais.
Referências
ENEPEX 2025