Os personagens malandros de Lima Barreto

Victória Nantes Marinho Adorno, Altamir Botoso

Resumo


O personagem malandro na Literatura Brasileira tem uma grande importância, pois sua imagem representa uma crítica a uma sociedade regida por contradições, revelando problemas sociais e desvelando tais contradições em seus atos. Segundo Antonio Candido (1970), o malandro é um indivíduo que vive fora das normas estabelecidas pela sociedade, situando-se entre a ordem e desordem. Trata-se de um anti-herói, que almeja a ascensão social, denunciando problemas sociais existentes na sociedade. Utiliza suas táticas para convencer suas vítimas, não se importa com os meios empregados, e acaba revelando traços da comunidade na qual está inserido, pois os atos de malandragem estão disseminados por toda a sociedade brasileira, atingindo o indivíduo, os grupos, as comunidades, os círculos políticos etc. O nosso objetivo é evidenciar traços da malandragem nos personagens dos contos “O homem que sabia Javanês”, “Nova Califórnia” e no romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto. Nessas obras, os malandros surgem como personagens graciosos, conduzidos pelas oportunidades, utilizando a sedução, a boa lábia, a ambição do ser humano para convencer suas vítimas, fazendo o uso do famoso “jeitinho”, para se safarem de situações conflituosas. Como suporte teórico, utilizaremos os seguintes textos: “Dialética da Malandragem”, de Antonio Candido (1970), Carnavais, malandro e heróis, de Roberto DaMatta (1990), A vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa (2003), Malandragem Revisitada, de Roberto Goto (1988), Que horas são? Ensaios, de Roberto Schwarz (1987), No fio da navalha: malandragem e literatura no samba, de Giovanna Ferreira Dealtry (2009), dentre outros. Em nosso estudo, identificamos primeiramente os traços e características mais relevantes dos malandros para, em seguida, efetivar-se a análise desses elementos com o apoio dos textos teóricos, com o intuito de ampliar os estudos sobre o personagem malandro e os seus desdobramentos na ficção brasileira, e também com o propósito de difundir as obras de Lima Barreto que apresentem personagens cujo comportamento seja regido pela malandragem.


Palavras-chave


Malandro; “O homem que sabia javanês”; “Nova Califórnia”; Clara dos Anjos; Lima Barreto.

Texto completo:

PDF

Referências


ARBOLEYA, Valdinei José. O homem cordial e a formação do povo brasileiro: um estudo das obras Memórias de um sargento de milícias, O homem que sabia javanês e Macunaíma. Revista de Literatura, História e Memória, Unioeste, Campus de Cascavel, v. 13, n. 21, 2017, p. 233-248.

BARBOSA, Francisco de Assis. A vida de Lima Barreto (1881-1922). 9. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 2003.

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Diário Íntimo. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1961.

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Lima Barreto: obras reunidas. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018a, v. 1

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. A nova Califórnia. In: BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Lima Barreto: obras reunidas. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018b, p. 302-312, v. 2.

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Clara dos Anjos. 1. ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012a.

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. O homem que sabia javanês. In: BARRETO, Afonso Henriques de Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. 1. ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012b.

CANDIDO, Antonio. Dialética da malandragem (Caracterização das “Memórias de um sargento de milícias”). Revista do instituto de estudos Brasileiros, n. 8. Universidade de São Paulo, 1970, p. 67-89.

CRISTINO, Leandro Nascimento. A malandragem como emblema nacional. Soletras, ano IX, n. 17 – Supl. São Gonçalo: UERJ, 2009, p. 39-51.

CUNHA, João Figueiredo Alves Da. Entre melindres e espertezas: personagens malandras, nos contos de Lima Barreto e José da Silva Coelho. Tese (Doutorado em Letras), Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo – FFLCH-USP, São Paulo, 2016.

DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 6. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

DEALTRY, Giovanna Ferreira. No fio da navalha: malandragem na literatura e no samba. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2009.

FREIRE, Zélia. R. N. S. Lima Barreto: imagem e linguagem. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2005.

GALVÃO, Walnice Nogueira. No tempo do rei. In: GALVÃO, Walnice Nogueira. Saco de gatos: ensaios críticos. São Paulo: Duas Cidades/Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, 1976, p. 27-33.

GOTO, Roberto. Malandragem revisitada: uma leitura ideológica de “Dialética da malandragem”. Campinas-SP: Pontes, 1988.

ROCHA, João Cézar de Castro. A guerra de relatos no Brasil contemporâneo. Ou: a “dialética da marginalidade”. Letras - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, n. 32, jun. 2006, p. 23-70.

SCHWARZ, Roberto. Que horas são? Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Anais do Congresso de Pesquisas em Linguística e Literatura