O tom poético nas produções de Raquel Naveira

Caroline Echeverria Carvalho, Zélia Ramona Nolasco dos Santos Freire

Resumo


A literatura sul-mato-grossense se encontra em desenvolvimento, e desde a divisão do Mato Grosso da qual deu origem ao Estado de Mato Grosso do Sul ocorre um movimento voltado à afirmação de sua identidade cultural. Sabemos que uma das maneiras de se caracterizar a identidade de um povo é por meio das manifestações literárias produzidas em seu território. Diante desse processo, um dos objetivos desta pesquisa é apresentar produções literárias sul-mato-grossenses da escritora Raquel Naveira que muito contribui para refletir sobre a identificação cultural de um povo e de um lugar. Uma das temáticas recorrentes nas obras da autora sul-mato-grossense Raquel Naveira refere-se à figura feminina na sociedade patriarcal, a imagem conservadora da mulher no mundo pós-moderno, com isso, esse trabalho tem como foco o estudo comparado entre dois gêneros textuais produzidos pela escritora. Sendo eles: Mulher Encostada na Vassoura (1989) e o outro, Vassouras (2017), sendo o primeiro escrito em versos e o segundo produzido em prosa. Diante desses gêneros textuais, demonstrar-se-á a liricidade presente tanto no poema, como na crônica naveiriana, pois a poesia está nos olhos de quem a enxerga, o tom poético, além de presente num poema, também pode estar em outros tipos de textos, até mesmo numa paisagem, numa obra de arte ou numa canção. Para comprovar que um texto não precisa, necessariamente, ter sua estrutura em versos para que haja nele poesia, este trabalho apoia-se nas teorias de Salvatore D’Onofrio (1995), Octávio Paz (1982), José Guilherme de Merquior (1972), Giorgio Agamben (2002), Roman Jackobson (2003) e Marcos Siscar (2015). Apesar das oposições estruturais entre a prosa e a poesia, Raquel Naveira transmite poesia independente do gênero textual em destaque.


Palavras-chave


liricidade; poesia; prosa; Raquel Naveira.

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Referências


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