Estética de uma ética da poesia brasileira contemporânea: a paixão pelo real manifesta em efeitos de presença

Gabriel de Melo Lima Leal

Resumo


Propomo-nos a leitura de um aspecto ético de parte da produção poética contemporânea brasileira – qual seja uma paixão pelo real (Slavoj Zizek), um desejo de se dirigir à realidade ou trazê-la ao poema – e como isso se manifesta esteticamente nessa mesma produção. O objeto analisado é o livro Sanguínea (2007), de Fabiano Calixto. A chave de leitura que nos é concedida pela Filosofia da Presença, de Hans Ulrich Gumbrecht, é de natureza epistêmica e fenomenológica e nos possibilita entender na contemporaneidade uma série de aspectos discutidos na crítica de poesia contemporânea enquanto desejo de presença. Os efeitos de presença aparecem, então, na poesia, como possibilidade de contato com um mundo que foi perdido (o mundo das coisas, como diz Gumbrecht) e, ao mesmo tempo, como sintoma do sentimento dessa perca que nos impôs o paradigma cartesiano fundado na cisão entre sujeito e objeto. Este trabalho se refere a uma parte da dissertação em andamento “Efeitos de presença em Sanguínea, de Fabiano Calixto: uma leitura analógica” e, até o presente momento, nossas suposições iniciais a respeito do objeto têm se confirmado ao longo do cotejo dos poemas e dos referenciais teóricos que consistem basicamente da Filosofia da Presença de Gumbrecht – que por sua vez se apoia na fenomenologia de proposições antimetafísicas do último Heidegger e nas teorias sistêmicas de Niklas Luhman –, de textos sobre a poesia moderna (principalmente de Octavio Paz) e de poesia brasileira contemporânea. Destacamos dentre estes últimos a obra de Marcos Siscar, que acusa uma necessidade ética da produção poética da contemporaneidade em “tomar pé” ante a ampla sensação de deriva que se nos impõe.

Palavras-chave


Poesia; Fabiano Calixto; Ética; Experiência estética; Produção de Presença.

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Referências


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